6 meses e hoje bateu as saudades

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Não é só pela morte que temos que sofrer. É pela vida. Pelas perdas. Pelas mudanças.  E quando imaginamos por que alguma vezes é tão ruim, por que dói tanto, temos que nos lembrar que pode mudar instantaneamente. Quando dói tanto que não se pode respirar, é assim que você sobrevive. Se lembrando desse dia, de alguma forma, impossivelmente, não se sentirá assim. Não vai doer tanto. O luto vem em seu próprio tempo para todos. À sua própria maneira. O melhor que podemos fazer, o melhor que qualquer um pode fazer, é tentar ser honesto. A parte ruim, a pior parte do luto, é que não se pode controlá-lo. O melhor que podemos fazer é tentar nos permitir senti-lo, quando ele vem. E deixar para lá quando podemos. A pior parte é que no momento que você acha que superou, começa tudo de novo. E sempre, toda vez, ele tira o seu fôlego. Há cinco estágios de luto. São diferentes em todos nós, mas sempre há cinco. Negação. Raiva. Barganha. Depressão. Aceitação.” (Fonte: Narração de Grey´s Anatomy 6×02)
Hoje faz seis meses que meu vô se foi, e a seis meses eu me pergunto: Porquê? Por quatro dias, eu não consegui vê-lo. Quatro dias e quase seis mil quilômetros separou aquela que seria a última vez que eu o veria. Estar longe me trouxe um misto de sentimentos, a culpa por estar longe me divertindo, o alívio por não precisar ir (velórios não me atraem), o pensamento “finalmente descansou” e a inevitável pergunta: E Se? E se eu estivesse aqui, veria ele vivo? Daria tempo? Teria coragem de ir ao seu enterro?
‘E’ e ‘Se’ colocadas na mesma frase tem o poder de nos assombrar, se não conseguirmos entender o motivo das coisas acontecerem.  E eu ainda estou tentando entender, as vezes nem me lembro que ele se foi e a vovó ficou sozinha, outras penso no que ele faria se estivesse aqui, como estaria, se estaria bem ou sofrendo, mas uma boa parte de mim sente falta, muita falta.
Nessas horas é que precisamos dar valor ao que temos, ao presente, viver o momento e não ficar adiando as coisas, e eu sempre fico enrolando o máximo que consigo. Fico naquela, esse mês não dá, quem sabe o próximo, ah hoje to tão cansada, ah amanhã eu vou, e assim vou empurrando com a barriga. 
Claro que nunca saberemos como a história terminará, mas precisamos estar sempre atentos aos sinais, e não deixar para amanhã o que poderemos fazer hoje.
Sei que muitas vezes não temos paciência com os mais velhos, mas precisamos dedicar um pouco mais de tempo a eles, afinal a partir de um certo ponto da vida, cada dia deles poderá ser o último, e precisamos aproveitar todo tempo que temos. 
Hoje bateu saudades do vovô, mas eu também não consegui fazer muito enquanto estava vivo, então tudo que me resta é lamentar e me perguntar:
E se eu tivesse feito diferente? Conseguiria me sentir melhor?
Respostas para essas perguntas eu nunca terei, mas  que tenho de fazer é mudar o rumo do futuro e não cair no mesmo erro.
Beijokas com saudades!!
Até a próxima!!

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