Preciso falar sobre… o Tempo que temos!

    Esse post faz parte do projeto Literatura em Movimento, e o tema desse mês me fez refletir um pouco sobre meu último ano, e como devemos valorizar o próximo enquanto ainda existe tempo.

Tema Julho

     Ano passado foi um dos mais difíceis da minha vida, após o divorcio dos meus pais a 10 anos (coisa que ainda não superei) nunca tive um ano tão ruim quanto 2014.

      E ele tem nome… Alzheimer, essa doença devastadora que na maioria das vezes demora anos para manifestar seu pior lado, em minha família passou feito um furação e destruiu tudo em questão de meses. 

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Foto: http://www.hearingthefuture.com

    Sempre vemos acontecer com o outro, vemos as dificuldades a distância, e vemos como ela aparece e vai evoluindo lentamente, nunca imaginamos que irá acontecer conosco e muito menos tão rápido.

       Minha sogra foi diagnosticada a 4 anos, próximo do natal de 2011, seguia bem, com alguns lapsos de memória, tomando a medicação corretamente, até então imaginamos que a teríamos por perto tempo suficiente. Até que…… Aquela mulher forte, completamente independente e com um coração enorme começou a desaparecer aos nossos olhos.

      Em fevereiro do ano passado veio a primeira de muitas crises, uma síndrome do pânico severa, muitas noites sem dormir e uma mudança brusca de rotina, confesso, primeiramente não aceitei muito bem, ver meu marido voltar para a casa dos pais algumas noites por semana, nossos fins de semana se tornaram inexistentes. Fui covarde, não ia mais visita-la, ia apenas aos fins de semana e só quando meu marido insistia muito, usava como desculpa o cansaço pelo trabalho e a faculdade (eu quase não ficava em casa). Fui mera observadora do que se passava com eles.

       Em uma das vezes, vi o quão terrível pode ser essa doença, não apenas com o doente, mas com todos em sua volta, meu sogro já não dormia mais, meu marido e seu irmão envelheceram uns 10 anos em meses.

      Doía muito ver ela indo embora aos poucos, mas tão rápido, chorei muito sozinha em casa no dia que fui lá e ela simplesmente não me reconheceu, perguntou ao meu marido que eu era e onde a Mônica estava que não ia vê-la, ela ainda se lembrava de mim, mas me vendo pessoalmente não tinha ideia de quem eu era, não reconhecia meu rosto. Em raras ocasiões lembrava dos familiares, mas não reconhecia a própria casa e implorava a Deus pra não deixá-la sofrer desse jeito. 

     O último mês foi terrível, não andava, não falava e quase não abria os olhos, a mulher forte que conhecia a muitos anos se resumia a uma simples casca do tinha sido, e assim depois de 8 meses ela se foi cercada do marido, filhos e todo amor que poderia receber. Descansou, mas deixou tanta saudades.

      Antes disso tudo acontecer, meu marido decidiu se casar, para satisfazer uma vontade dela, que sempre desejou ver pelo menos um dos filhos se casando na igreja, infelizmente não deu tempo, mas em outubro um ano após sua partida iremos nos casar exatamente da forma que ela queria.

     O que podemos absorver de tudo isso é que nunca deixe para amanha o que se pode fazer hoje, cuide bem de seus amigos e familiares, esteja sempre por perto ou procure saber deles sempre, e principalmente enfrente todas as situações de frente, não se esconda nunca. Talvez amanha possa ser tarde demais.

       Aproveite para conhecer os blogs participantes e ver os assuntos interessantes abordados por cada um deles:

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2 thoughts on “Preciso falar sobre… o Tempo que temos!

  1. Nossa, sinto muito!
    Realmente, nós vivemos como se fôssemos eternos e nada pudesse nos abater. Eu sei como é isso de doença na família, desestabiliza a todos. E, claro, perder um ente querido com um sentimento de culpa e ficar na saudade, é terrível. Por isso você está certíssima em dizer que devemos fazer hoje e não deixar para amanhã, pois quem sabe se estaremos aqui ou se os outros estarão aqui?
    Beijos.
    http://www.historiamuda.com.br

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