De onde vem nossas roupas?

Sabe, até um tempo atrás eu não parava para saber de onde vinham as minhas roupas, sapatos ou acessórios, só queria saber de comprar e encher o armário de novidades e tentar ao máximo não repetir minhas adoradas roupinhas.

Elas eram preciosas, uma verdadeira coleção, onde eu podia encontrar muito do que foi moda em cada época da minha vida adulta.

Eu literalmente vivia a máxima, quanto mais melhor. Então entre levar um vestido de melhor qualidade, mais atemporal, eu preferia levar uns 5 da modinha pelo mesmo preço. Eu AMAVA uma liquidação.

Mas ai com o tempo, depois de tanto ver os limites que algumas marcas vão para conseguirem entregar quela blusinha por um preço pequeninho, sacrificando qualidade e muitas vezes vidas em prol das vendas em volumes, eu fui meio que ficando mais criteriosa.

Mesmo antes do desafio, eu já estava tentando comprar com mais consciência, ou então pedir pra minha amiga Cid’s fazer as roupas, comprava o tecido, escolhia o modelo e assim valorizava o trabalho manual, e de quebra ainda tinha roupas feitas sob medida para se adequar ao meu corpo e não o contrário.

Até que vi a seguinte reportagem, onde mostram o trabalho escravo encontrado nas oficinas terceirizadas pela Animale.

Isso me chocou de uma maneira que não imaginava, afinal na buscar por produtos de boa qualidade, minhas duas últimas compras foram exatamente duas blusinhas da marca.

Essas aí embaixo:

Foi aí que parei, pensei e me senti completamente mal. Afinal não foram baratas,  e eu tenho no meu armário uma peça que provavelmente foi feita com muito suor, esforço e pouca valorização do trabalho de quem as costurou.

Não quer dizer que eu vá jogá-las fora ou por para doação, afinal comprei pois gostei e não quero ser aquele tipo de pessoa que descarta as coisas por motivos banais. Eu não tinha consciência do acontecia nos bastidores da confecção e se tivesse jamais investiria meu rico dindim nelas.

Isso só me fez ter ainda mais certeza de que devo seguir em frente com minhas atuais convicções e reconhecer que essa mudança é um processo longo e que não acontece da noite para o dia.

É preciso se informar, pesquisar e acima de tudo cuidar do que possuímos, buscar novas maneiras de aproveitar bem nosso armário, criar novas maneiras de usar, customizar, modificar e quando não nos servir mais, seja por não ser mais nosso estilo ou não caber em nossos corpos, aí sim darmos um destino diferente.

Uma dica de documentário para não ficarmos mais tão indiferentes ao mundo a nossa volta é o The True Cost que aborda bem o impacto do consumo desenfreado da moda. Tem na netflix e vale a pena ver.

Beijokas!!

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